Em dia com a igreja: Por Pe. Valdery
Publicado em 6 06UTC Dezembro 06UTC 2009 por psfelipemendes
“Superstições” católicas e “indulgências” protestantes. Na frase, os adjetivos não combinam bem com os substantivos. Mas, atitudes e comportamentos no dia-a-dia da religiosidade popular, quando animados por lideres mal formados, ou, como é mais comum, mal informados, resultam em grosseiras superstições de que o universo religioso está cheio, principalmente agora pelo uso facilitado dos meios de comunicação social (mídia). Não só no mundo das religiões mais primitivas, mas também no mundo do monoteísmo do qual faz parte o cristianismo. Aqui não só entre católicos, mas também entre evangélicos, protestantes. Lutero, o iniciador do cisma que cindiu o cristianismo nos inícios do século XVI, se vivo agora, “morreria de vergonha” observando até que ponto chegaram seus seguidores de hoje, grandes fabricantes das “indulgências protestantes”, na expressão do arguto articulista da revista Ultimato, de matriz protestante. De tais indulgências, e convites a atitudes supersticiosas, os canais de televisão estão cheios. Basta um olhar mais crítico para detectá-las a cada instante. São correntes, óleos, chás, livros, copos d’água em cima da mesa. Usados são captadores de bênçãos e milagres sem fim, a conselho até, admire-se, de pregadores católicos.
O trato do assunto é do interesse desta coluna. Traz à lembrança a falta que faz o desconhecimento de oportunas lições que, no campo da busca da verdade e do entendimento do comportamento humano relacionado com as coisas sobrenaturais, nos trouxe a luta do conhecido e polêmico padre Oscar Quevedo, fundador e diretor do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (CLAP-SP), em nada admirado pelos espíritas, em geral, e por muitos católicos que não aceitam suas explicações. Dele falo com conhecimento de causa, por ter freqüentado o curso de 10 dias ministrado no CLAP. Recordo uma resposta que, num debate na TV, ele deu ao “médium” espírita, de nome Geraldo. Este atribuía a espírito de médico famoso já falecido suas faladas ações de cura. Diante da recusa do padre Quevedo em aceitar tal origem das “curas”, perguntou Geraldo: “O senhor acha que se eu mesmo fosse a causa das curas, iria atribuir o fenômeno a outros? A mortos? Por que não o faço?”, concluiu desafiador. Resposta do padre Quevedo: “Porque não sabe parapsicologia… Se soubesse…”.
“PORQUE NÃO SABE PARAPSICOLOGIA… SE SOUBESSE…”.
No intuito de levar aos leitores um pouco do que este experiente especialista em parapsicologia ensina, publico pequena seleção das centenas de respostas suas dadas em entrevistas concedidas a diferentes jornais e revistas Brasil afora.
01. Quais os objetivos do seu trabalho no CLAP?
- O meu trabalho é de esclarecer, tirar superstições, confirmar verdades. O Brasil é o país mais supersticioso do mundo, lamentavelmente. Aqui, qualquer bobagem é considerada um milagre. E se disseminam religiões sem fundamento como em nenhum outro lugar. Até os cristãos católicos têm superstições. Esclarecer estas coisas é o meu trabalho e para isso fui chamado ao Brasil, onde estou faz mais de 40 anos.
02. O que é Parapsicologia?
- É a Ciência que trata dos fenômenos misteriosos, a primeira vista inexplicáveis, porém relacionados com o homem. Já os povos antigos pretendiam invocar os mortos, faziam adivinhações e havia entre eles curandeiros. Já então eram conhecidas as “casas mal assombradas”. Posteriormente, na Inglaterra, surgiram os cavalos encantados, os fantasmas e os bruxos. Datam de milênios os casos de pessoas ignorantes e analfabetos que, de repente, começam a falar línguas desconhecidas, pessoas que se levitam, pessoas endemoninhadas, etc. Os fatos que ainda hoje se repetem, são iguais; porém, interpretados de modo diferente e com finalidades específicas. Uns atribuem-nos aos demônios, outros a gênios, a deuses, e hoje está em moda, principalmente no Brasil, atribuí-los aos mortos. Podemos dizer que a Parapsicologia é o conjunto de ramos da ciência que também estuda e estabelece a diferença entre verdadeiros e falsos milagres; os fundamentos verdadeiros ou falsos das religiões.
03. Qual a utilidade da Parapsicologia?
- Como ciência tem a finalidade de constatar e analisar esses fenômenos. É tão útil quanto a Medicina, a Psicologia e outras ciências, pois ela é essencialmente libertadora. O homem moderno vive cercado de medos de demônios, espíritos, de homens com poderes, extraterrestres, de forças secretas, de ameaças cósmicas, de fantasmas, de visões e de comunicações do além, etc.. É sua finalidade mostrar a esse homem que tudo isso é proveniente do próprio homem, de suas energias psicofísicas, de suas faculdades espirituais; é libertá-lo de temores, é torná-lo consciente e senhor de si e de sua vida, que deverá ser mais feliz, e paralelamente, pela prova dos verdadeiros milagres, obra exclusiva de Deus, trazê-lo à verdadeira Religião Revelada.
04. Mas em outras religiões também se fala da ocorrência de milagres, e as pessoas não concordam com esse ponto de vista.
- Qualquer bobagem é milagre ou então milagre é uma bobagem: Expulsou o demônio, saiu caminhando, tinha um tique nervoso e agora está bem. Algum caso de devolução de uma perna?! Os católicos têm muitos. Algum caso de devolução de uma mão?! Os católicos têm muitos. Alguma cura instantânea de um leproso? Temos muitas. Desafio aos feitores de “milagres” a curar um dente cariado!…
05. E como está atualmente a Parapsicologia no Brasil?
Um número relativamente reduzido de pessoas possui uma idéia correta desta Ciência; a maioria tem uma idéia vaga e errada. Poucos brasileiros leram obras sérias e científicas sobre este assunto. Há além do mais, muitos conferencistas que se apresentam como professores de Parapsicologia e não o são, sendo na realidade, propagandistas de superstições.
06. Por que os psicólogos e psiquiatras criticam tanto a parapsicologia? Em sua opinião, é preconceito ou há mesmo uma polêmica científica?
- A parapsicologia está muito bem estudada e os últimos a aceitarem esta ciência são os psiquiatras e os psicólogos. Parapsicologia, psicologia, psiquiatria são palavras que sugerem a psique. Qualquer profissional de psicologia e psiquiatria considera que a psique é sua especialidade, mas, como não entende de parapsicologia, sai dizendo que “isso não é uma ciência”. E se opõe automática e instintivamente. A parapsicologia nada tem a ver, propriamente com psicologia e psiquiatria. O psiquiatra estuda as manifestações anormais do psiquismo humano. O psicólogo estuda as manifestações normais. A parapsicologia é o conjunto dos ramos das ciências (física, química, medicina, filosofia, teologia). É uma ciência que estuda o comportamento não freqüente, à margem do normal, extraordinário, relacionado com o homem ou com outras forças da natureza. Qualquer manifestação da natureza, antes de ser negada, deve ser estudada. E é a parapsicologia que estuda os fenômenos incomuns. Roger Bacon (monge britânico franciscano- 1212/1294 -, conhecido como Doutor Admirável, que preconizou a ciência experimental) reagiu numa época em que a religião se metia e dava palpite em tudo, e que logo atribuía ao demônio o que não entendia. Ele defendeu que as manifestações desconhecidas deveriam ser estudadas em laboratórios e as análises repetidas à exaustão.
07. O que o senhor explica sobre objetos que somem de um lugar e aparecem em outro?
- Isto se chama aporte, uma energia corporal dirigida pelo inconsciente, chamada de telergia, que age somente sobre animais pequenos (e os mata); também sobre plantas, objetos e sobre si mesmo. Entre tantos fenômenos que se devem à telergia, o aporte é desfazer uma matéria, convertê-la em energia e depois se materializar de novo. É um dos fenômenos mais freqüentes. Antigamente, como não sabiam interpretar, pensavam que eram demônios ou espíritos maus que vinham se vingar. Tais fenômenos nada têm a ver com o Além. Mas, com uma pessoa viva, a menos de 50 metros que tenha uma descarga de telergia, energia corporal, exteriorizada, dirigida pelo inconsciente. A mais de 50 metros, nunca acontece nada. Na verdade, é até menos: num momento talvez chegue a 10, 12 metros. Quando se juntam forças, quem sabe chega a 15, 17 metros… Bom, põe 50 que não tem perigo de perder a aposta.
08. Feitiço e mau-olhado também são estudados pela Parapsicologia?
- São muitas as pessoas que sofrem porque se sentem enfeitiçadas.”Alguém me fez um trabalho”. Na realidade, o feitiço não tem poder algum. O efeito do feitiço nada mais é do que o próprio temor da pessoa que se sente enfeitiçada. Por causa da auto-sugestão negativa, esta pessoa pode se sentir doente, mas a causa da doença não está no feitiço e sim no medo da pessoa que se auto-sugestionou.
09. Como entende a psicografia? Em Chico Xavier, por exemplo?
- A psicografia nada tem a ver com o Além. É um transe. Um automatismo. A psicografia em geral se provoca com toda a facilidade. Dizem que são os mortos. Por que Chico Xavier não psicografa em latim? Ele diz que Emmanuel era um senador romano, que falava o latim, dos tempos de Cristo reencarnado no padre Manuel da Nóbrega. Então teria de se manifestar em latim. Mas a psicografia só sai em português e de autores que ele conhece. Psicografia e pictografia são feitas com habilidade e uma rapidez típicas de todos os automatismos. Em um estado alterado de consciência, quando os automatismos tomam conta da máquina humana, quem não é especialista se surpreende. Mas reflitam um pouco: se fossem os mortos, por que nunca psicografam em latim, alemão ou russo? Apesar de tudo, considero Chico Xavier um homem bom, um homem sincero. Não digo que sua psicografia seja truque. Mas é um fenômeno claramente humano.
10. Qual é a sua posição sobre telepatia?
– O nome telepatia é popular, o nome internacional é psigama (psi=alma; gama = conhecimento). O nosso inconsciente conhece presente, passado e futuro de todo o nosso globo, numa margem de dois séculos entre eles. Tudo o que acontece é conhecido alguma vez, especialmente se é um fato emotivo. Mas ninguém domina a telepatia. Então, uma pessoa que abre um consultório de adivinhação, como se dominasse a faculdade é um charlatão. Os fenômenos existem, mas são parapsicológicos, isto é, à margem do comum, são espontâneos e incontroláveis.
11. Qual a diferença entre uma pessoa normal e um psíquico?
- Um psíquico (impropriamente chamado de paranormal) é sempre uma pessoa que tem seu sistema psíquico desequilibrado. Plenamente normal, equilibrado, ninguém manifesta fenômenos parapsicológicos, que é uma psicorragia, onde escapa o fenômeno parapsicológico. Quanto mais tiver, mais doente. A manifestação de fenômenos parapsicológicos é um momento de desequilíbrio, uma psicorragia, uma doença, mesmo que seja passageira.
12. O Senhor acha que tem alguma maneira da pessoa se livrar desse fenômeno?
- Com um tratamento com um psicólogo, médico ou psiquiatra, que saiba parapsicologia, para não cair nas mãos de supersticiosos que vão dizer: “Você é médium, tem que desenvolver, senão os espíritos vão se vingar”. É tudo absurdo! Ninguém é médium; não se deve desenvolver e sim, curar. Aqui no Brasil se desenvolve muito; uns atribuindo aos espíritos, outros a demônios, orixás, mahatmas, larvas astrais, gênios, etc… Tudo errado! São interpretações supersticiosas porque antigamente não sabiam interpretar. A parapsicologia acabou com tudo isto.
* Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e Pároco de Cruz
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